Nossas raízes continuam brotando! Neste segundo episódio do videocast Cria Raiz, a host Kamila Camilo conversa com Jessi Alves, que transformou nosso sofá em uma sala de aula. Nossa convidada é bióloga, professora, comunicadora, divulgadora científica, embaixadora da WWF e foi a rainha da xepa no BBB 22.
Baiana de nascença, tem sua origem em Bom Jesus da Lapa, no oeste da Bahia. Quando tinha dois anos, sua família se mudou para Valparaíso de Goiás, cidade no entorno de Brasília, onde cresceu e viveu. Jessi tem em suas raízes e personalidade a mistura do Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Ela é “da cintura para cima a sofrência e da cintura para baixo o axé.”
Em uma troca sensível e cheia de conteúdo, Jessi compartilha com a gente sobre o papel da educação na sua vida, os desafios da fama pós-BBB, responsabilidade financeira, as contradições da ascensão social, o lado B da influência, como fazer divulgação científica e a COP 30 (Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima). Ela também fala, em primeira mão, sobre o livro infantojuvenil que está escrevendo.
As palavras e o conhecimento estão constantemente presentes na vida de Jessi. Sua mãe, apesar de não ter tido acesso à educação, sempre considerou fundamental suas filhas estudarem e as incentivou.
Foi por meio da educação que Jessi encontrou sua sorte quando saiu do BBB. A sorte, como diz Kamila — ao citar uma frase clichê dos coaches motivacionais — é quando a oportunidade te encontra trabalhando.
Logo que saiu do programa, Jessi fez diversos cursos para desenvolver e aperfeiçoar suas habilidades, desde inglês até apresentação de TV. “Eu não sabia gravar, editar um vídeo, ler um TP. Eu não sabia fazer uma performance na frente da câmera que não ficasse tão dura, tão mecânica. Ou seja, tudo isso eu tive que estudar.”
Perguntavam como ela se via agora que havia se tornado influenciadora, mas, para Jessi, ser influencer é de muito antes. Influenciada por sua professora, se tornou uma. Ocupou novamente o lugar de estudante e teve que aprender a lidar com sua nova audiência, que passou de 50 a 60 alunos na sala de aula para mais de 1 milhão de pessoas nas redes sociais.
“É um lugar de muito mais responsabilidade. É de muito cuidado, muita atenção com aquilo que você fala, com como você fala e para quem você fala.” Ela usa estratégias, como as trends, para traduzir assuntos científicos e transformá-los em conteúdos atrativos. “Eu entendi que agora, nas redes sociais, eu preciso adaptar a minha linguagem de uma forma acessível para chegar nessas pessoas.”
Realista e com os pés no chão, Jessi usa sua presença digital para ter um impacto positivo no mundo. Mulher de ação, descobriu que o que ela gosta mesmo é de escrever, falar e construir projetos sobre clima.
Nas reflexões que faz em suas redes, ela traz o clima e a COP 30 para o debate. Kamila pergunta como está o patrocínio para a produção de conteúdo, já que muitas agências têm tratado a COP, que vai acontecer em novembro no Pará, como um evento para publis e poderia ser uma ótima oportunidade. “Eu trabalho com publicidade e eu posso tentar com que essa visibilidade não seja só pelo marketing”, afirma Jessi.
Ela diz que tem sido um desafio atrair as marcas, pois consideram seu perfil muito didático, explicativo e formal. “É mais interessante ter um influenciador que não entende nada de COP, que não tá falando de meio ambiente, mas que tem visibilidade e números para ocupar esses espaços.”
Ela propõe projetos que possam unir publicidade e informação. “Falar sobre COP é pegar tudo isso daí que é super complexo, científico, cheio de política envolvida e transformar num assunto prático, acessível e que as pessoas entendam de verdade.”
Apesar de ter sucesso trabalhando na internet, Jessi reconhece que teve essa oportunidade pela visibilidade que participar do BBB proporciona. Mas isso só foi possível porque nunca deixou de estudar e se preparar para quando esse momento chegasse. Ela destaca que as redes sociais criam a ilusão de que é o lugar que vai dar certo, que é incrível, que o dinheiro entra. Não é assim.
Esse projeto é uma realização do Instituto Oyá com apoio do Instituto Clima e Sociedade e do Instituto Arapyaú.



