Praia em dia de sol, feijão na mesa, futebol e festa na rua: quase um requisito para ter carteirinha de brasileiro raiz.

Mas a crise climática está colocando a nossa brasilidade em risco.

Nossas paixões nacionais estão cada vez menos acessíveis. Partidas de futebol e festas populares são afetadas pelo calor extremo e pelas tempestades.

O banho de praia e rio sofre com a poluição das águas. E até o almoço de domingo com a família ficou mais caro por causa das estiagens que impactam a produção de alimentos.

Pesamos o clima, né? Foi mal…

Mas esse jogo ainda pode mudar. O problema é que existe muita desinformação circulando quando o assunto são as mudanças climáticas  e é justamente aí que a gente entra.

Chama o VAR!

Viu uma notícia, dado ou informação por aí e ficou na dúvida se é fake news?

O nosso VAR do Clima entra em campo para checar a informação, sinalizar desinformação e trazer fontes confiáveis para você entender o que é fato e o que é manipulação.

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Na nossa Central do Climão, Rafael Portugal dessa vez alerta sobre os danos causados pela crise climática que nós já estamos vivendo. Não é qualquer um que tem um serviço de atendimento como a gente!

VEM SABER MAIS!

A crise climática já entrou em campo no futebol brasileiro

Tem torcedor que culpa o juiz, o técnico, o VAR e até a posição de Mercúrio retrógrado pela derrota do time. Mas tem um adversário que já entrou em campo e está bagunçando o futebol no mundo inteiro: a crise climática.

O primeiro impacto climático relevante no calendário da FIFA ocorreu em 2022. A Copa do Mundo, tradicionalmente disputada entre junho e julho, precisou ser remarcada para os meses de novembro e dezembro por conta das temperaturas extremas no Catar, que chegavam a superar os 40 °C durante o verão.

Segundo o relatório “O Maior Adversário do Futebol”, divulgado pelo movimento Terra FC e pela consultoria ERM, 78% dos clubes das Séries A, B e C do Campeonato Brasileiro estão em municípios com alto risco de eventos climáticos severos nos próximos 25 anos.

Só considerando o risco de enchentes, os custos estimados para reparo de infraestrutura, logística e perda de receita chegam a R$ 2,91 bilhões nos próximos 25 anos.

As enchentes de 2024 no RS foram um exemplo devastador. Com o Rio Guaíba atingindo 5,3 metros, tanto os centros de treinamento quanto os estádios de Grêmio e Internacional foram alagados. A CBF adiou rodadas do Brasileirão, e as partidas dos times gaúchos pela Copa Sul-Americana e Libertadores também foram suspensas.

Leu algo sobre o clima e não tem certeza se é verdade? Nosso VAR do Clima vai sinalizar qualquer desinformação e fornecer fontes confiáveis.

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A feijoada de domingo está com os dias contados?

Tem coisa mais brasileira do que o cheiro de feijoada invadindo a casa no domingo? Panela fumegando, família reunida, aquela farofa, a couve refogada, a laranja no canto do prato — e todo mundo apertado em volta da mesa esperando a hora de servir. Não importa se é apartamento pequeno ou sítio, se é Rio ou Recife: o feijão é parte da nossa identidade.

Mas a crise climática já está mexendo com esse ritual. E não é só no preço que você sentiu na última ida ao mercado.

A primeira safra de feijão de 2024/25 foi afetada pela crise climática de formas opostas e igualmente destrutivas: seca e calor intenso no Sudeste, enquanto o Sul enfogava sob excesso de chuvas. O resultado chegou direto no seu bolso: menos feijão no mercado, preços mais altos, panela mais pesada no orçamento.

Pesquisadores da Embrapa projetam que, até 2050, as áreas de produção de feijão no Brasil devem registrar elevação de temperatura entre 1,2°C e 2,9°C. As regiões mais afetadas seriam justamente o Centro-Oeste, Minas Gerais e a Bahia — alguns dos maiores celeiros do grão no país. E a conta não fecha fácil: a produção de feijão precisaria crescer cerca de 44% até 2050 para atender à demanda da população brasileira. Com o clima desandando, esse crescimento fica cada vez mais difícil.

O Brasil comemorou avanços importantes: os dados do IBGE mostram melhora nos indicadores de segurança alimentar, mas ainda restam 54,7 milhões de pessoas convivendo com algum nível de insegurança alimentar. E o alerta que vem junto com os dados é claro: o desafio é triplo — proteger o poder de compra das famílias, fortalecer a resiliência climática e garantir a qualidade nutricional da alimentação. Quando o feijão encarece por causa de uma seca, quem paga a conta primeiro é quem já tem menos no prato.

Leu algo sobre o clima e não tem certeza se é verdade? Nosso VAR do Clima vai sinalizar qualquer desinformação e fornecer fontes confiáveis.

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O mar está mudando, e não é só a maré

Tem coisa mais brasileira do que reclamar que a água do mar está gelada… e cinco minutos depois entrar mesmo assim? Praia lotada, banho de rio, cadeira de plástico na areia e farofa dividida com a família fazem parte do nosso jeito de viver. Mas a crise climática está deixando esse mergulho cada vez mais preocupante.

O Brasil inicia o verão de 2025/2026 com o pior índice de praias próprias para banho da última década: apenas 30,2% dos trechos monitorados mantiveram condições adequadas durante todo o ano, segundo levantamento da Folha de S.Paulo com dados oficiais coletados entre novembro de 2024 e outubro de 2025. A série histórica tem início em 2016, e 2025 atingiu seu pior resultado.
Além da qualidade da água, a própria existência física das praias está em risco. Um estudo apontou para a perda de 15% da faixa de areia da costa brasileira — ou seja, a cada 100 metros de praia, 15 já desapareceram. Esse total representa mais de 3 mil estádios do Maracanã.
Os rios amazônicos bateram recordes negativos: entre setembro de 2023 e outubro de 2024, foram registradas 85 mínimas históricas nas estações de monitoramento da Bacia do Rio Amazonas. No Rio Negro, em Manaus, monitorado desde 1902, o nível despencou 26 cm por dia em certos momentos. O Rio Solimões chegou a -29 cm em Itapéua (AM), menor marca em 53 anos

Os oceanos do planeta acumulam hoje entre 75 e 199 milhões de toneladas de resíduos plásticos, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O plástico representa 85% de todo lixo que chega ao mar.

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A crise climática também quer estragar a festa

No Brasil, a gente aprende desde cedo que festa de rua não precisa de convite. Basta um bloco passando, um pagode na praça ou um trio elétrico dobrando a esquina que já aparece alguém cantando, dançando e pedindo “só mais uma”. Mas até a alegria das ruas está sentindo os impactos da crise climática. O calor extremo, as chuvas intensas e os eventos climáticos cada vez mais imprevisíveis já começaram a mudar a forma como grandes festas populares acontecem no país. Carnaval, blocos de rua e celebrações culturais passaram a enfrentar riscos que vão de desidratação coletiva a cancelamentos por tempestades.

No Carnaval de 2025, o Rio de Janeiro registrou máximas de 39°C, enquanto em São Paulo a sensação térmica chegou a ultrapassar 60°C em pontos de concentração de blocos, por causa das ilhas de calor formadas por concreto e asfalto.

No Carnaval de 2026, entre 12 e 16 de fevereiro, 2.709 pessoas foram atendidas em emergências no Rio por ocorrências relacionadas ao calor — um aumento de 11,2% em relação ao mesmo período de anos anteriores.
Mais de 70 blocos e cordões carnavalescos de São Paulo e Rio enviaram cartas às prefeituras pedindo a criação de um gabinete de crise climática para monitorar condições durante o Carnaval, além de pontos de distribuição gratuita de água e flexibilização de horários de desfiles em caso de calor extremo ou chuvas fortes. O movimento se chamou “As Águas Vão Rolar”

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